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No livro Personal Branding, de Arthur Bender, há uma passagem interessante sobre a imagem que deixamos: se encontramos alguém num restaurante por exemplo, que conhecemos, e que está acompanhado(a) de um desconhecido, cumprimentamos essa pessoa e depois de alguns instantes somos descritos por uma frase que sintetiza a nossa imagem. “Esse cara é muito competente”, ou “É meio enrolado, mas é gente boa”, ou “É uma freira, mas ninguém diz”. Em suma, uma situação delicada, resultado do nosso trabalho e história de vida, ou ainda, resultado daquilo que mostramos para o mundo. Lá vai uma crônica:

Bauru chega na mesa do restaurante e encontra Barcelona conversando com Roma:

Barcelona – Oi tudo bem Bauru? Há quanto tempo… e aí garoto, o que faz da vida?

Bauru – Ah, to por aí… passo o dia engordando e estudando. Preciso ir no médico pois a minha pele vive descascando… é um problema crônico. Outro dia vi um carro 4×4 com um adesivo “em Bauru só de offroad”. Quase chorei. Ou nem tanto, porque o que eu ia gastar com médico eu acabei torrando com umas amigas… me diverti”

Barcelona – Ah… é crônico o seu problema?

Bauru – Nem sei… desde que nasci tenho esse problema. Agora engordando, com mais pele, acho que terei mais problema ainda.

Barcelona – Ah, desculpe Roma, deixe eu te apresentar: esse é Bauru, um primo distante brasileiro. É de lá que vem o nome desse lanche, o bauru.

Roma – Ah, nunca provei. É gostoso?

Bauru – Bom gente, vou nessa. Preciso estudar antropologia dos sem-terra e trabalhar mais tarde na lavanderia do meu tio.

Barcelona – Abraço Bauru, bom te rever. Se cuida!

(…)

Barcelona: Coitado… esse aí é uma negação… tão estudado e ate que tem competência para trabalhar. Mas não tem visão nenhuma de futuro. Não passa de um pau-mandado… Na casa dele não tem nada, só o carro mesmo. Vive enfiado no boteco, porque não tem inteligência pra encontrar outra forma de se divertir… E ele tem esse problema de pele porque a grana que ele deveria comprar remédio, adivinha onde ele gasta…